sábado, 29 de novembro de 2008

V E R T I C A L

Programação:

29/11 - Exibição no Mercado da Boa Vista - Projeto Rodada Cultural
02/12 - 10° Festival de Vídeo de PE - Teatro do Parque

[Verticalize-se]

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Romance

Atraída apenas pela beleza do cartaz de divulgação, fui assistir Romance.
Li uma coisa ou outra sobre a narrativa - "o que Tristão & Isolda tem a ver com Guel Arraes?” – mas não cheguei a me aprofundar. Preferi me despir de idéias ou de expectativas. Até agora não sei se foi a melhor opção.

O filme começa com um belo texto sobre o amor romântico: "o amor correspondido infeliz". E quando eu quase acreditei que Guel Arraes tinha inserido um pouco realidade no seu mise en scène - afinal não se tratava de um filme de época nem de uma comédia, logo algo diferente estava por vir –, percebi um diretor extremamente apegado aos próprios costumes. É possível ver cenas idênticas a Lisbela e o prisioneiro e a O Auto da Compadecida. Falta ao diretor, reciclagem.
A comédia não necessariamente precisava ser banida, de forma alguma, essa é a peculiaridade de Guel – e identidade é o diferencial de um diretor, mesmo se reciclando ou inovando ele jamais a perderia. Porém se a idéia não é contar uma história cômica, e sim romântica e até mesmo trágica, por que os elementos da interpretação de cada personagem não foram construídos com mais cautela?
Em relação ao casal protagonista, palmas para Wagner Moura que tenta em vários momentos romper a barreira entre o texto e a interpretação – um obstáculo enorme, diga-se de passagem. Tanto que o Pedro é um personagem bastante tangível. Mesmo ele sendo tão repetitivo quanto os outros, podemos crer nas suas idéias, na sua existência. Infelizmente Letícia Sabatella não foi tão feliz nesse desafio. Ana, a protagonista do filme, terminou sendo uma personagem vaga e, óbvio, repetitiva. Diferente de Pedro, a existência dela não afeta quem está assistindo. Teoricamente ela é o sentimento que liga toda a história, quem cria todos os nós da trama. Na prática, Ana de tanto levantar a bandeira do amor e do sentimento, termina virando mais uma mocinha piegas, superficial.
Já outros atores como Marco Nanini e José Wilker salvam o filme. Eles conseguem quebrar o clima romântico (leia-se sacal) que a narrativa propõe e dão ao filme dinamismo e comédia – pontos onde a boa e velha direção Guel Arraneana ganha destaque.

O grande problema é de fato a narrativa. O texto é duro, didático, difícil de ser aplicado à vida real. Mais de duas horas de pura repetição: Amor, Tristão, Morte, Isolda, Sofrimento, Amor, Tristão, Morte, Isolda, Sofrimento, Amor...
O filme passa todo o tempo se explicando; o espectador não tem em momento algum o mérito de desvendar algo por si só.
Sem uma definição concreta, Romance fica entre a comédia romântica / pastelão e o drama, mas não consegue se apropriar de nenhum dos dois gêneros. Nem um tema como o amor, capaz de causar identificação quase imediata, consegue quebrar o gelo que paira entre o espectador e a projeção.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Durante alguns anos foi um exercício constante: engolia-os com a mesma gana que os expelia. Precisava, para ainda ter espaços e fome. E às vezes, sabia, a estadia de ambos em mim – o resto de um, o princípio do outro – não era saudável. Mas também sabia que se expulsasse algum de uma vez, intensificaria a dor. Preferia prolongar meu sofrimento como um masoquista com medo que chegue ao fim a sua tortura, dividindo-a em parcelas diárias. Assim, além de dor, teria a angústia e a ansiedade para semear o meu gozo.
Sendo sincera, meu maior interesse era digerir um por completo, sem pressa ou afobação. Não era possível, não dava tempo e logo em seguida, todos os meus poros estavam rejeitando o meu primeiro alimento. Continuava com fome – com um pouco de sede – e com tédio. Prossegui no meu exercício até o tédio ocupar todos os espaços: o da gana, o da fome, o da dor parcelada. E depois, quando nem o gozo existia mais, já nauseada, expeli o último. Intensificando-o ao máximo, para que não me restasse sobras.

domingo, 26 de outubro de 2008

VERTICAL

Campanha aberta pelo vídeo de dona Eva, seu Biagio, dona Rose e companhia (se tu não conhece, eu garanto q é td gente boa, limpinha e de família), concorrente do II Poesia ao Vídeo da IV Festa Literária Internacional de Porto de Galinhas.
O link segue aqui; só assistir e o voto já tá valendo.


http://blog.fliporto.net/2008/10/25/vertical-eva-elis-canto-silva-jofilsan/

Gracias! ^^


[por Dandara Palankof]

A vida dos outros, quando essa é aparentemente feliz, não rende assunto em mesa de bar. Não estimula grandes discussões; apenas um comentário ou outro, sem excitação - e o pior, sem julgamentos.
Não faz revermos as nossas com bons olhos - diante da vida alheia, a nossa é medíocre. O outro será sempre projeção; nós, dia-a-dia.


A vida dos outros é uma grande mentira.

domingo, 19 de outubro de 2008

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Tomou todo o café em dois goles, quase sem intervalo de tempo.
Faltava 15 minutos. Ainda passariam os traillers, mas sentia prazer em escolher a poltrona com as luzes acesas.
"Vai assistir filme hoje?", a curiosidade da mulher do balcão o irritava. Fez um gesto quase imperceptível com a cabeça e, sem mais despedidas, partiu. O itinerário era o mesmo: café rápido antes de sair de casa, compra o ingresso, o café do melhor Café do shopping, cinema. Cada minuto cuidadosamente planejado. Já na sala escolheu a poltrona central da última fileira - a vazia. Não tinha pretensão de ser sociável, mas estava usando um vermelho gritante enquanto o resto dos senhores não ousavam mais que tons frios. Observa as laterais - um moço se instala a quatro poltronas de distância. Está sozinho, ainda bem. Há inquietação por todos os lados; os rumores sobre a densidade do filme incomoda os espectadores, as senhoras em especial.
Começam os traillers e uma senhora retardatária entra na sala, segue até a última fileira. Não consegue entender, mas ela o encara - primeiro senta do seu lado esquerdo, depois, num súbito, levanta, pede licença e passando desajeitadamente por ele, senta na poltrona do seu lado direito. Nesse milêsimo de instante, enquanto ela o encarava, ele corou e desviou o olhar e o corpo para lhe dar passagem. Não entendeu a razão do movimento mas preferiu respeitá-lo.

La película se inicia.

Tudo se cala - nem bocas famintas nem tosses... Nada. Apenas a música dos créditos iniciais. Misteriosamente a mulher, naquele momento, deixou de existir. Só reinava ele e o silêncio. A maravilha do silêncio! Alí, nem narrativas, nem atuações, nem fotografia. Alí: silêncio.
Ele se bastava, como sempre, mas agora o mundo também se bastava (ou ao menos fingia muito bem).
O filme havia se mostrado mais denso que o imaginado e quando os créditos finais apareceram, todos continuaram imóveis. Menos ele. Levantou - antes que a fila nas escadas começasse a se formar - e seguiu até a saída, imune.
Voltou ao Café, agora lotado por causa do almoço. Sentou na única mesa vazia.
A mulher do balcão se aproximou, entregou o cardápio: "o filme foi bom?"; o mesmo gesto imperceptível de duas horas atrás, dessa vez olhando nos olhos - "um espresso, por favor. E sem açúcar".

Não houve mais conversação: ela acatou, em cinco minutos trouxe o pedido do cliente e voltou aos seus afazeres.
Apreciou o café vagarosamente.

terça-feira, 30 de setembro de 2008

yeh yeh!

Quando eu botar fogo na roupa
Você vai se arrepender
Do que me fez
Você vai ver meu corpo em chamas
Pela rua

E o povo todo horrorizado
Iluminado pelo meu fulgor mortal
Eu vou dançar
Girando o corpo incendiado
Até cair no chão

[...]

A presença selvagem
De um clarão vermelho
Rodopiando pelo chão
Esse sou eu
Dorido, dolorido
Colorido e sem razão

Ou não.





Corpo em chamas - Ave Sangria

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

a necessidade de ser poético em cada sílaba.
deus!, deus!, deus!,
será que eles não vêem?!









a poesia transcende a palavra.
"[...] Sonho
É só fumaça
Doce ou tóxica
Se tem cheiro é só isso
Nada forma
Vai brincando de ver elefantes
Rinocerontes
E outros paquidermes
Eles são enormes
Mas não ocupam o vazio do meu peito"

Gustavo Vilar

(e um pedacinho da minha vida)

domingo, 31 de agosto de 2008


Júlia Maria que não gosta de ser chamada de Maria. A verdade é que ela não se chama Maria. Como virginiana, é adepta das regras - logo, todas as vezes que grito "Júlia Maria!", sou severamente censurada.
Tem sete. Nem mais nem menos. Sete!
Comentei certa vez, com a inconveniência que me é peculiar: "nossa, sete! já tá velha". Ela, muito bem educada, retrucou: "velho é Victor que já tem oito. Eu só tenho sete." - Victor, O primogênito dos bisnetos -, me recolhi. Não ouso me trocar com a infante, tenho medo de ser passada para trás no meu primeiro deslize. Pequena especialista na arte dos foras com elegãncia, do desprezo respeitoso.

Campeã no street fighter. Já me ganhou jogando com os pés. Não só uma partida, ganhou algumas várias.
Como disse, a infante sabe o que fazer e como fazer.
Nunca, jamais, em caso algum, come verduras - a essa altura já é uma questão de honra. O prato é devidamente construído em tons de amarelo - meticulosa, extremamente meticulosa. Já tentaram colorir seus pratos; tentativa vã. Talvez como vingança, um dia, num almoço qualquer, montou seu prato num surto master de ousadia: feijão com amedoim. Comeu. Segundo relatos, não só comeu, deliciou-se; e o fez como um prazer de um chef que acaba de preparar sua obra de arte culinária, para o espanto dos presentes.

Hoje, algumas janelinhas, franja espetando os olhos, barroquinhas nas bochechas. Risada engraçada - joga o corpo e a cabeça pra trás, ergue uma das mãos, e depois de se inclinar um pouco para o lado, volta à posição incial. Toda pequena, toda redonda, toda sagaz - toda e completamente radiante.

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

"[...] - Escuta. Eu estava habituada somente a transcender. Esperança pra mim era adiamento. Eu nunca havia deixado minha alma livre, e me havia organizado depressa em pessoa porque é arriscado demais perder-se a forma. Mas vejo agora o que na verdade me acontecia: eu tinha tão pouca fé que havia inventado apenas o futuro, eu acreditava tão pouco no que existe que adiava a atualidade para uma promessa e para um futuro.
Mas descubro que não é sequer necessário ter esperança. [...]"




A paixão segundo G.H. - Clarice Lispector

domingo, 17 de agosto de 2008

inércia

Não se vive o velho, não se vive o novo. O passado e o futuro passeiam ao redor da cabeça, mas nem um nem outro encontram terra firme para pousar. Arrodeiam, arrodeiam, arrodeiam... só há oceano, inundação, afogamento.


- morreu de quê?
- afogou-se em si.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

domingo, 10 de agosto de 2008

Segundo Domingo de Agosto, a metade paterna se reuni.
Não mais pela boa companhia, não mais pela diversão e as gracinhas (um tanto pesadas) dos entes.
Tudo obra do carinho que alguns ainda nutrem - mais pela tradição do quê pela família em si.
Primos, tios, pais, sobrinhos, agregados, primos de segundo grau, bisnetos - esses sim são felizes!
E a minha persona - prima, sobrinha, filha, quase agregada, prima de segundo grau e bábá - sem encontrar um local para pousar os olhos. Onde estaria segura e ninguém ousasse alguma abordagem direta.
Por instinto de seguraça, foquei-os.





Na cozinha lotada ouviu-se apenas o clic.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

plaisir dans l'angoisse.
contradictoire, très contradictoire...

qu'est-ce tu ne oublié pas?
je ne sais pas.

et c'est ça ma rage.

quinta-feira, 31 de julho de 2008

à volta dele na minha vida

pausa na dramaticidade e um bocado de êxtase no lugar.


"O que será que será
Que dá dentro da gente e que não devia
Que desacata a gente, que é revelia
Que é feito uma aguardente que não sacia
Que é feito estar doente de uma folia
Que nem dez mandamentos vão conciliar
Nem todos os ungüentos vão aliviar
Nem todos os quebrantos, toda alquimia
Que nem todos os santos, será que será
O que não tem descanso, nem nunca terá
O que não tem cansaço, nem nunca terá
O que não tem limite"

segunda-feira, 28 de julho de 2008

o homem de azul - final

Cabelos ao vento, bermuda florida e sapato social: agora eu o percebia.
Tinha uma mala de viagem do lado, mas não parecia ansioso. Ansioso como todo viajante. Ele acabara de destruir toda a minha concepção de viagens...
Seu rosto era sereno; os óculos escondiam um pouco, é verdade. E é verdade também que a bermuda florida e o sapato social muitas vezes me despertaram muito mais atenção.
Mesmo assim pude ver sua serenidade: nostalgia que se tem de tempos inexistentes. Nostalgia que não se explica, apenas se sente. E ficava alí, parado no meio da calçada, fitando o prédio do outro lado da rua. O único prédio da rua. Não só para ele. Sempre fazia menção de ir, não ia. Se balançava, quase numa dança... de um lado a outro... Não era serenidade! Nunca foi. Era, o tempo inteiro, incerteza. E a incerteza o fazia dançar: um passo para a esquerda - taxistas jogando dominó na esquina. Puxa a mala para si; desiste. Retorna ao prédio.
Observa a direita: transeuntes típicos: desinteressados.
Não adiantava! O prédio sempre o atraía, e isso começava a ficar visível até para os mais apressados.
E se ele perdesse o avião, o ônibus, a carona...? O homem de azul não conseguia ser racional um só instante?
Ao mesmo tempo, ele havia perdido tanto tempo de sua vida naquele salão, por quê não uma recompensa?
Ele devia ir. Agora minha intromissão era declarada. Mas também o porteiro do prédio concordava, os taxistas da esquina concordavam - haviam até parado o dominó! Os transeuntes acenavam as cabeças concomitantemente. E a nossa certeza aumentava. Mesmo medíocre a nossa certeza, e mesmo sabendo disso, o homem de azul, cada vez mais, se desesperava.
Ainda o prédio lhe tomava, mas agora o sentimento era outro. Agora era agonia por precisar decidir. Agora era a rua inflando, e ele agora minúsculo. Agora era a certeza alheia fudendo a sua serenidade, e a sua incerteza, e a sua agonia... Agora!


ele saiu puxando a mala até a esquina e pegou o primeiro táxi do ponto - o do taxista que acabara de ganhar uma partida. Acabara de ganhar uma partida
.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

E eu procurava pela casa toda, meu amor, a casa toda e nada.
Aquela arrumação me enlouquecia, assim como o desinteresse dos moradores pela minha causa; minha causa, de tão simples, chegava a ser estúpida.
A minha necessidade gritava: uísque! - não, não, quem gritava isso era meu imediatismo. A necessidade mesmo, essa gritava outra coisa... Mais um grito que as cordas vocais não sentiram. Então - depois de subir e descer aquelas escadas todas em vão - me rendi ao título que eu mesma tinha me concedido:
mulher mais solitária do mundo.
Transitavam: todos de passagem.
Todos, sem nem me olhar, passavam.
Eram impiedosos! Não me fizeram merecedora nem de um encontrão casual de olhares... E eu nem tive tempo de compreender e aceitar. Se ao menos houvesse uísque eu aceitaria melhor. O copo sempre foi o mais fiel dos meus companheiros; eu me afogava nele para não ter que me afogar nos outros.
Eles ainda passavam.
Agora eu já não os quero mais - dizia, convicta, pra mim mesma. Mas assim que um transeunte se aproximava, a esperança, essa maldita que não aprendeu a se conter, voltava a pulsar com toda força.
Percebi todos, fisicamente. Porque nunca estavam a não ser fisicamente. É o mal dos desinteressados...
Não havia razões aparentes para aquilo, me soava mais como punição. Punição de quê? Por quê? Não nasci para ser punida, fiquem sabendo! Não nasci pra isso por não ter estrutura pra isso.
Será que eu fiz algo? Maldisse ou ironizei? Eram muitos, não caberiam todos na minha ruindade.
Ou será que eu ainda não percebi as dimensões montruosas da minha ruindade? Talvez já fosse gritante pros outros, mas não pra mim. Não ainda. É que, pra mim, o meu aglomerado não pode ser visto a olhos nus.
E eu ainda não tinha encontrado as lentes certas.
Mesmo assim, meu amor, tudo isso poderia melhorar com uma dose de uísque.

terça-feira, 15 de julho de 2008

cancerianice aguda

mudanças, por mais ínfimas que sejam, me causam um puta estranhamento.


estranhamento: uma puta irritação!

domingo, 13 de julho de 2008

"a maior flor do mundo"


"As histórias para crianças devem ser escritas com palavras muito simples.
Porque as crianças, por serem pequenas, sabem poucas palavras e não querem complicá-las"

José Saramago








http://www.youtube.com/watch?v=-KTL94Rl7CI

domingo, 6 de julho de 2008

sábado, 5 de julho de 2008

o homem de azul - primeira parte

Qual a razão para o homem de azul cortar o cabelo numa segunda-feira?
Segundas não são excepcionais; cortar o cabelo, dependendo da pessoa, também não. Lia uma dessas revistas de salão, ótimas para quem não deseja pensar em nada - ideais para salões de beleza.
Não havia mais clientes além de nós.
Esse deve ter sido o motivo da escolha: era vaidoso, mas ninguém precisava saber.
Pagou a conta e foi-se.
Não me deu tempo para observá-lo.
Até aquele momento eu também não queria observá-lo.

[...]

terça-feira, 1 de julho de 2008

revolta cotidiana

O dia inteiro reclamando de dores no estômago, na cabeça, de zumbido no ouvido - nunca do tarja preta que o médico, que já na minha infância era velho, passou para a insônia dela.
Então num determinado momento da noite:

"olha, essa gripe tá péssima! não tô podendo nem mexer em água [...]". Fala enquanto termina de lavar os pratos. "[...] tá péssima, eu tô até falando pelo ouvido!".

terça-feira, 10 de junho de 2008

escuro, bocas, david lynch, sussuros, walter salles, polanski, mordidas, cinéma erotique, línguas, muitas, wong kar-wai, azuis, vermelhos.

não há excitação melhor que a do cinema.
[confirmado por 10 entre 10 espectadores/cineastas]





compartilho.










segunda-feira, 9 de junho de 2008

anual

tudo agora é reiventado, redescoberto, reaceito.
E aquele blábláblá (whiskas sachê) de ciclos.
E aquela sensação de mês junino.




- deixa de viadagem, menina!
- é culpa do inferno astral, juro!

domingo, 25 de maio de 2008

E a dúvida fica me rondando: será que acabou?
acabou a cumplicidade construída tão lentamente, mas que parecia inabalável, as horas de risadas por bobagens e maldades (que há tempos não encontro por aqui), as saudades que a distância sempre nos causou, as briguinhas pelas oscilações de humor tão costumeiras?
Os olhares que antes iam de encontro sem vacilar, agora mudam de curso na primeira oportunidade.
Não entendo bem como tudo isso se deu. Realmente se deu? Às vezes me parece ser só paranóia. Mas diálogos cheios de pausas constrangedoras me fazem crer no contrário...

Lamentações, lamentações...

O que faço pra mudar...?
Espero o outro mudar.






mas espero confiante.
quando não preguiça, luxúria.
quando não luxúria, gula.
quando não gula, vaidade.
quando não vaidade, avareza.
quando não avareza, soberba.
quando não soberba, ira.
quando não ira, preguiça.








e depois, nada.

terça-feira, 6 de maio de 2008

CLEMENTINE - I'm nervous. You don't need to be nervous around me, though. I like you. Do you think I'm repulsively fat?
JOEL - No, not at all.
CLEMENTINE- I don't either. I used to. But I'm through with that. Y'know, if I don't love my body, then I'm just lost. You know? With all the wrinkles and scars and the general falling apart that's coming round the bend. You ever inhale hairspray? Fucking good high. I don't anymore. It causes cellulite.
So, I've been seeing this guy...
CLEMENTINE - Oh, Joel, you're so sweet! Just been seeing him for the last week. He's kind of the kid. Kind of a goofball, but he's really stuck on me, which is flattering. Who wouldn't like that? And he's, like, a dope, but the says these smart and moving things sometimes, out of nowhere, that just break my heart. He's the one who game that crow photograph.
JOEL - Oh, yeah. Caw.
CLEMENTINE - It made me cry. But, anyway, we went up to Boston, because I had this surge to lie on my back on the Charles river. It gets frozen this time of year.
JOEL - That sounds scary.
CLEMENTINE - Exactly! I used to do it in college and I had this urge again, so I got Patrick and we drove all night to get there and he was was sweet and said nice things to me, but I was really disappointed to be there with him. Y'know? And that's where my psychic stuff comes in. Like, it just isn't tight with him. Y'know?
JOEL - I tkink so. I had a girlfriend two years ago and just yesterday...
CLEMENTINE - I don't believe in that soulmate crap anymore, but... Patrick says so many great things. We like the same writers. This writer Joel Townsley Rogers he turned me on to.
JOEL - Yeah, he's one of my favorite. I saw you had his book in your purse. One of the oddest locked room mysteries.
CLEMENTINE - And this kid's cute, too. It's fucked up. I mean, here it is Valentine's day and I can't bring myself to call him.
Joel, you should come up to the Charles with me sometime.
JOEL - Okay.

domingo, 4 de maio de 2008

um passado não tão distante

brisa foi-se.
agora tem dora.
duy anda mancando.
bruce continua ciumento.
mais à vista.







eu continuo sendo anti-higiênica.
ela continua não penteando o cabelo.

terça-feira, 22 de abril de 2008

De uns tempos pra cá
telefone, bicicleta
minhas saídas mais secretas
tô pensando em deixar

dê no que tiver que dar
seu amor me basta ter
pra ficar só com você
isso de uns tempos pra cá






[...]

domingo, 30 de março de 2008

É domingo, um dos seus vizinhos resolve compartilhar seu novo cd de pagode com o resto da rua.
O que fazer?


( ) coloca um som mais alto que o dele
( ) grita um sonoro PUTAQUEPARIU
( ) fingi que nada está acontecendo e continua com suas atividades normais
(x) arquiteta um homicídio repleto de sofrimento e dor




acordei um pouco impaciente hoje.

quinta-feira, 20 de março de 2008

da beleza dos dias.

Primeiro pensamento ao acordar: ah não, sair chovendo não...!
E foi seguindo a filosofia da cama e dos cobertores que passei quase uma hora cochilando, acordando, tomando coragem, cochilando de novo. Um dia de chuva dificilmente é apreciado de cara.
Raramente alguém diz "que belo dia de chuva!"; ainda não aprenderam a gostar dos dias monocromáticos. É uma pena. Tenho a impressão que o mundo ganha um aspecto diferente. O mundo se aqueta mesmo sem nem perceber. E isso não diz respeito só a mudança climática, mas nas mudanças de comportamento das pessoas.
Os guarda-chuvas dos homens (preto tradicional, transparente, xadrez) competem pelo espaço das ruas com as sombrinhas de estampas exageradas das senhoras. Crianças vestindo capas e galochas da mesma cor! Elas ficam tão onipotentes dentro dessas vestes; dá a impressão que os seus mundos não se abalam por nada. No fim terminam sempre secos e salvos nos seus respectivos destinos.
Nas paradas de ônibus pessoas se amontoam com medo dos chuviscos. Uma das raras ocasiões onde desconhecidos se aproximam. As aproximações podem ser forçadas, mas dependendo da demora das lotações as relações podem até se estreitar!
As calhas das casas no eterno pinga pinga; os pés sujos de lama daqueles que optaram por deixá-los seminus; os ensopados correndo em busca de abrigo; as praças abandonadas pelos aposentados, assíduos jogadores de qualquer coisa; os atrasos por causa do engarrafamentos; as boas desculpas que se pode inventar para se atrasar num dia como esse; as pessoas saindo empacotadas (casacos, botas, calças pesadas) embora o termômetro nem chegue aos 20°...
E é assim que a cidade, eterna escrava do verão, brinca um pouco de inverno.

segunda-feira, 17 de março de 2008

O homem segura o jornal cuja a capa é sobre o seu time que havia sido campeão de alguma coisa. Segurava e ria de felicidade e sadismo dos outros companheiros de trabalho que torciam para o time adversário. Assim foi todo o seu dia de trabalho: gracinhas, piadinhas, deboches... Chegava a cansar os transeuntes. Aquele deveria ser o dia mais feliz da sua vida, e eu não entendia se isso era bom ou triste...
Durante um bom tempo preferi esnobá-lo. Não me culpava, era recíproco.
Era como um trato: eu o notava mas fingia que não, e ele, na sua euforia, nem me olhava. Até o momento que viu a minha combinação alvirubra (montada ao acaso); inclinou um pouco o corpo e perguntou esperançoso "você é do náutico?" ! Tive medo, confesso. Ele queria mais era que eu afirmasse(!), mas depois de ter me recostado mais na grade, respondi "não, eu não tenho time". Ele voltou ao seu posto desolado, tenho certeza. Imagine só a maravilha que seria encontrar uma alvirubrazinha indefesa um dia depois da grande derrota para o seu time! Seria ali que ele despejaria todo seu sadismo futebolístico! Se retirou. Porém não me deu nem cinco minutos de sossego... Voltou com alguma coisa na mão, talvez um grapeador ituano ou algum outro objeto de escritório soando ameaçador. Foi aí que começou o processo de intimidação. Fitava o horizonte e grampeava o ar com rapidez...
Aqueles 'clicks' me faziam ter certeza que era pena o meu sentimento pelo rubronegro. Parando para observar aquela era mesmo a única alegria dele. O trabalho naquele cursinho deveria ser insuportável. Alunos chatos, professores engraçadinhos (típicos de cursinho), coordenadoras engajadas (o que as tornava mais chatas que os alunos), secretárias nenhum pouco gostosas... Só restava meia dúzia de homens na mesma condição que ele (e usando o mesmo uniforme verde limão) e alguns taxistas batendo ponto na esquina. Os únicos com quem poderia liberar testosterona em paz...
De segunda a sábado sua vida era mais uma vidinha...
Mas no domingo...?! No domingo a vida pulsava! Saia fora do seu controle!
Era ali que ele descontava os aborrecimentos dos outros dias. Deixava o cargo de porteiro e se transformava em alguém muito maior, muito mais importante. Vestia uma camisa e se orgulhava disso, já que na vidinha a única camisa que ele vestia era ridiculamente verde limão, e isso não seria motivo de orgulho para ninguém.

domingo, 16 de março de 2008

Confraria das Sedutoras

"Eu não consigo me controlar
Tenho o demônio da carne no corpo
Sonho acordada na escuridão da minha cela
Utilizo os dedos pra provocar sensações proibidas
Eu não sei explicar como isso acontece
Eu sinto um formigamento percorrer o meu corpo
E algo se desprende e caminha em direção a você"


Pecadora, interpretada por Simone Spoladore.
Mais: http://www.myspace.com/3namassa

domingo, 2 de março de 2008

Dois de Março

Nas datas comemorativas acontece uma coisa estranha com os mortais, parece que a ficha cai e eles notam a real importância das pessoas que os rodeiam. Isso é bem frequente nos aniversários (ou, em casos mais extremos, nas fatalidades). Então todos lembram, sentem saudade, querem encontrar e ainda saem lambuzando o aniversariante com todo o amor e o carinho que, desconfio, deve ter ficado guardado durante um ano inteiro, esperando um “dia especial” para poder se rebelar...! (Eles são realmente estranhos!)
Não duvido que sejam sentimentos verdadeiros, pelo contrário. Mas é aí que está o problema! Não deveria existir um dia em especial para declarar seu afeto por alguém; não, isso deveria ser um exercício constante! (Com moderação para não banalizar!) Mas nós deveríamos ser mais presentes... mesmo com as ausências, mesmo nos dias que é impossível achar disposição pro mundo e para chatice humana...
Então apertamos o botão que infla o ego e viramos todas as atenções para os nossos respectivos umbigos; e esquecemos. Esquecemos com uma facilidade impressionante...
Não é por mal, sabemos que não.


Eu, mais uma na ala dos mortais que não aprenderam a se fazer presente na vida do outros e ainda conseguir viver a minha, não evolui ao ponto de deixar de lado essas convenções de datas... Ao mesmo tempo, para começo da evolução, me recuso a encontrar contigo num dois de março a tarde para falar meia dúzia de besteiras, tomar uma cerveja e voltar pra casa com a sensação de dever cumprido. “Pronto, dividi meu tempo com alguém num dia especial para essa pessoa... Agora eu posso voltar pro meu umbigo!”
Não! Fujamos disso!
A preferência é que seja como todos os outros dias banais das nossas vidas; com sala da casa da avó, com risadas, doces e implicâncias.
Porque para mim isso vale mais que um simples “parabéns, jade”.

no supermercado eu tento escolher o mesmo sabor que você deve gostar










mais que anormal eu devo ser...

domingo, 24 de fevereiro de 2008

O fim de todos nós é a velhice...!

Desconfio mesmo é que a velhice é muito mais um estado de esquizofrenia não declarada do quê apenas mudanças funcionais. O primeiro sinal que alguém já não anda bem das idéias é quando ela começa a ouvir mal...! Não ouvir as besteiras que os outros não seria exatamente o sonho de todos os mortais? Com a idade fazemos mesmo é o que sempre tivemos vontade, mas o pudor, a educação, a vergonha sempre havia nos impedido. Podemos ser psicóticos, caducos, esquecidos, ranzinzas, autodestrutivos... e ninguém te culpa por isso. E aí, nossas mágoas, paranóias, raivas podem vir à tona fantasiadas de devaneios. (seria o paraíso?)

"Tá caducando, a coitada", num tom baixo para a pessoa em questão não ouvir.

Espero ansiosamente o dia dos meus 65 anos, data da minha emancipação completa, para poder ser malévola à vontade e ainda poder sair com ares de coitadinha.

sábado, 9 de fevereiro de 2008

BRASILNOAR

O Festival BrasilNoar - Festival Internacional da Nova Arte Brasileira, desembarca no Brasil. Com o mesmo formato que começou a 7 anos, no Teatro municipal de Barcelona - Mercat de les Flores, o Festival BrasilNoar desembarcará em algumas cidades brasileiras (São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Recife, Belo Horizonte e Trancoso-BA). A idéia é fortalecer este movimento contemporâneo de novos artistas brasileiros, alguns que já obtiveram o reconhecimento internacional, e que reclamam um maior espaço na mídia nacional, um melhor reconhecimento de sua arte e poder atingir a um público cada vez mais exigente.

ARTISTA, OS PRODUTORES DO FESTIVAL ESTARÃO RECOLHENDO PROJETOS CULTURAIS, POR FAVOR LEVAR SEU MATERIAL PROMOCIONAL NO DIA DA FESTA!(música, cine, fotografia, arte plástica, dança, teatro, poesia…)



O Festival, aclamado nas outras cidades do país, foca a multiciplinaridade nas artes. A idéia é englobar música, artes plásticas, audiovisual, performance, poesia... e tantos outras expressões artísticas de profissionais e coletivos pernambucanos. De toda a programação posso citar alguns trabalhos que realmente são muito bons, como por exemplo as exposições fotográficas da Comuniquê e Paspatus sobre novos olhares nos mercados públicos da cidade; assim como a Célula Mater, que integra fotografia e tecnologia num trabalho de cunho totalmente experimental. Nas artes plásticas o festival traz a irreverência da artista Karina Agra e seu novo trabalho com acrílico e cores explosivas, na série "mundo kitsch". A poesia vem muito bem representada pelo Nós-Pós, projeto que desde o ano passado vem lançando os novos (e os antigos) poetas da nossa cidade. No Domingo a programação garante os shows de Cila do Coco, Inquilinos, Ticuqueiros, Media Sana... e ainda os Dj's 440, Uirá e Buguinha Dub.
Nesses três dias a Torre Malakoff (praça do Arsenal - Recife Antigo) está com uma programação de altíssima qualidade e ainda de graça.

Você ainda tá fazendo o quê em casa, hein?!



Para saber a programação completa:
http://inrecife.wordpress.com/2008/02/08/festival-brasil-no-ar/

Desespero contido

Daqueles que chegam tão perto das cordas vocais, mas raramente viram grito.

"O ensaio sobre o descontrole sereno".
Nem sempre tão sereno assim...


Esse é pra não entender.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

diálogos de pizzaria

- Pizza de tomate seco com manjericão! É a melhor, minha gente.
- Não, gosto de manjericão não.
- Ouxi Taia... Por que?
- Sei lá, o manjericão tem um gosto tão... introspectivo.
- Ah e o que você tem contra introspectivos?
- Nada...
[...]

- Eva Maria, tu é um manjericão!

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Hoje, eu renasci.


E todo nascimento requer um pouco de dor.