segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

"[...] Ela dizia: "Quando uma pessoa vive de verdade, todos os outros também vivem."E todos os animais, nós incluídos, por meros momentos, voltávamos a ser selvagens.
Ela queria dizer que, quando uma criatura resolve se dedicar a viver de modo mais pleno possível, muitas outras que estiverem por perto se "deixarão contagiar". Apesar das barreiras, do confinamento, até mesmo de lesões, se alguém se determinar a superar tudo para viver plenamente, a partir daí os outros também o farão, e esses outros incluem filhos, companheiros, amigos, colegas de trabalho, desconhecidos, animais e flores. "Quando uma pessoa vive de verdade, todos os outros também vivem." Esse é o principal imperativo da mulher sábia. Viver para que os outros também se inspirem. Viver do nosso próprio jeito vibrante para que outros aprendam conosco."  

A Ciranda das Mulheres Sábias - Clarissa Pinkola Estés

sábado, 5 de janeiro de 2013

365 dias de vida

Mas, não adianta ter planos, projetos aprovados, mandatos assumidos, tudo arrumadinho sobre a mesa. Pois, aí vem Saturno, aquele planeta tão temido quanto um pai severo, mas com o qual podemos começar a dialogar. Um pai pode cometer erros de avaliação ou nos conhecer menos do que pensa. Saturno nunca erra, porque sua voz sai de dentro de nós. Impõe foco, coragem e determinação; aponta nossas fraquezas, preguiças e, principalmente, revela nossa sombra. 

(Limites, que não os tem?)
As coisas não vão andar por si sós. Nossas decisões serão importantes a cada passo, a cada movimento das escamas douradas da Serpente, que começa a mandar no mundo em fevereiro. Para potencializar o poder desta cobra, é preciso prever cada centímetro antes de se movimentar. Caso contrário, o risco de ir sem chegar a lugar nenhum, girando em forma de rotina qual Ouroboros, é grande. Para quem estiver preparado, a ofídia vai ficar virada que nem uma Kundalini. 
(Ofídia boa!!! Uhuuu!!!)
E o sentimento, não conta? Sempre conta! E com a carta deste ano, então! Haja sentimento! Com a regência dOs Enamorados, precisamos de muita atenção para que nossas escolhas não sejam feitas só com o coração. O poder de decidir, o livre-arbítrio, está aí para que possamos definir nossas vidas, redesenhá-las, reaprumá-las. Decisões tomadas, a carta VI sugere fortalecimento de laços, casamentos, sociedades sólidas. 
(Vou ali varrer meu pé e já volto!)
E nem sonhe em fazer tudo isso só. O número Seis (2+0+1+3) vem para mostrar a importância do trabalho em grupo, das parcerias. É hora de juntar o povo para fazer junto e em prol do coletivo, seja em família ou com amigos. Um número que traz em si as vibrações do amor, da beleza e da saúde, mas também o idealismo, por isso devemos ter cuidado com a frustração. Nem todo mundo está na mesma vibe. ;)

Planejamento, escolhas, disciplina e reflexão! 


Como de praxe, as previsões para o ano novo por Evinha Duarte. Que venha 2013! 

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Da Fuga


Perdi-me muitas vezes pelo mar,
o ouvido cheio de flores recém cortadas,
a língua cheia de amor e de agonia.
Muitas vezes perdi-me pelo mar, 
como me perco no coração de alguns meninos.
Não há noite em que, ao dar um beijo, 
não sinta o sorriso das pessoas sem rosto,
nem há ninguém que, ao tocar um recém-nascido,
se esqueça das imóveis caveiras de cavalo.
Porque as rosas buscam na frente uma dura paisagem de osso
e as mãos do homem não têm mais sentido 
senão imitar as raízes sob a terra.
Como me perco no coração de alguns meninos,
perdi-me muitas vezes pelo mar.
Ignorante da água vou buscando uma morte de luz que me consuma.


Federico García Lorca

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Existe algo mais sem sentido do que amar alguém? Amar alguém por um longo tempo, com todas as (in)conveniências que a convivência pode oferecer. Amar no sussuro, nos gritos e nos bocejos. É desacreditar numa vida sem. A ausência sendo um quase não viver, sendo uma perfuração não necessariamente no seu peito, mas nas suas tripas.

O amor, esse maldito, causa palpitações e tiques nervosos, sorrisos imbecis e coceira de raiva. Ter o outro é viver em um eterno conflito entre a as pequenas alegrias e a intranquilidade da ânsia por cometer um homicídio.

A vida pode ser mais simples.

Lembrei de esquecer

Não dá pé
Não tem pé, nem cabeça
Não tem ninguém que mereça
Não tem coração que esqueça
Não tem jeito mesmo
Não tem dó no peito
Não tem nem talvez ter feito
O que você me fez desapareça
Cresça e desapareça

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Aqui, sob esta pedra, onde o orvalho roreja,
Repousa, embalsamado em óleos vegetais,
O alvo corpo de quem, como uma ave que adeja,
Dançava descuidosa, e hoje não dança mais…

Quem não a viu é bem provável que não veja
Outro conjunto igual de partes naturais.
Os véus tinham-lhe ciúme. Outras, tinham-lhe inveja.
E ao fitá-la os varões tinham pasmos sensuais.


A morte a surpreendeu um dia que sonhava.
Ao pôr do sol, desceu entre sombras fiéis
À terra, sobre a qual tão de leve pesava…

Eram as suas mãos mais lindas sem anéis…
Tinha os olhos azuis… Era loura e dançava…
Seu destino foi curto e bom… — Não a choreis.





Inscrição - Manuel Bandeira

domingo, 9 de dezembro de 2012

Para não esquecer

Passei toda a noite, sem dormir, vendo, sem espaço, a figura dela, 
E vendo-a sempre de maneiras diferentes do que a encontro a ela. 
Faço pensamentos com a recordação do que ela é quando me fala, 
E em cada pensamento ela varia de acordo com a sua semelhança. 
Amar é pensar. 
E eu quase que me esqueço de sentir só de pensar nela. 
Não sei bem o que quero, mesmo dela, e eu não penso senão nela. 
Tenho uma grande distração animada. 
Quando desejo encontrá-la 
Quase que prefiro não a encontrar, 
Para não ter que a deixar depois. 
Não sei bem o que quero, nem quero saber o que quero. 
Quero só Pensar nela. 
Não peço nada a ninguém, nem a ela, senão pensar. 
Alberto Caeiro