terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Sou sua noite, sou seu quarto
Se você quiser dormir
Eu me despeço
Eu em pedaços
Como um silêncio ao contrário
Enquanto espero
Escrevo uns versos
Depois rasgo

Sou seu fado, sou seu bardo
Se você quiser ouvir
O seu eunuco, o seu soprano
Um seu arauto
Eu sou o sol da sua noite em claro,
Um rádio
Eu sou pelo avesso sua pele
O seu casaco

Se você vai sair
O seu asfalto
Se você vai sair
Eu chovo
Sobre o seu cabelo pelo seu itinerário
Sou eu o seu paradeiro
Em uns versos que eu escrevo
Depois rasgo

Uns Versos - Adriana Calcanhoto

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Até o surgimento da Internet enquanto aparato de comunicação, a interação entre grupos eram limitadas por uma série de fatores, dentre eles a geografia, as classes sociais, o gênero, a idade, a raça e a orientação sexual. Essas diferenças continuam presentes e determinam as relações interpessoais dos indivíduos na sociedade, porém a interação virtual maculou essas fronteiras, modificando-as. A segunda modificação está na abordagem das relações sociais, feitas de forma mais subjetiva e emocional, através das empatias de preferências diversas e das ideologias compartilhadas pelos indivíduos, não somente de padrões pré-estabelecidos. No universo virtual, como estamos diante de uma máquina, não de um outro corpo físico responsável por nos observar e julgar, nos permitimos uma liberdade alienada, distante dos limites morais do ato da exposição. Portanto, tomando como base essa impressão de não estar sendo visto (muito menos julgado), o indivíduo contemporâneo faz de si mesmo um espetáculo.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

sessenta segundos mais

E que dure o "pra sempre" contido nesse minuto, para que então possamos ser uma sequência interminável de "pra sempre", até o fim.

domingo, 31 de outubro de 2010

Meu novo quarto
Virado para o nascente:
Meu quarto, de novo a cavaleiro da entrada da barra.

Depois de dez anos de pátio
Volto a tomar conhecimento da aurora.
Volto a banhar meus olhos no mênstruo incruento das madrugadas.

Todas as manhãs o aeroporto em frente me dá lições de partir:
Hei de aprender com ele
A partir de uma vez
- Sem medo,
Sem remorso,
Sem saudade.

Não pensem que estou aguardando a lua cheia
- Esse sol da demência
Vaga e noctâmbula.
O que eu mais quero,
O de que preciso
É de lua nova
.


Bandeira - Lua Nova

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

M A D R U G A D A


Minhas cores para Thainah. ;]

domingo, 24 de outubro de 2010

Segue o teu destino,
Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
De árvores alheias.

A realidade
Sempre é mais ou menos
Do que nós queremos.
Só nós somos sempre
Iguais a nós-próprios.

Suave é viver só.
Grande e nobre é sempre
Viver simplesmente.
Deixa a dor nas aras
Como ex-voto aos deuses.

Vê de longe a vida.
Nunca a interrogues.
Ela nada pode
Dizer-te. A resposta
Está além dos deuses.

Mas serenamente
Imita o Olimpo
No teu coração.
Os deuses são deuses
Porque não se pensam.

Fernando Pessoa - Odes de Ricardo Reis

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

é só mais uma música triste

"Walk on by the room where you still sleep
Walk on by the company that you keep
And the room where i held you tight tonight
I must walk on by
Some how i know
I wont forget you no no no no no i wont
You wont forget me no no no no no you wont
I'll keep on walking away from here
I'll forget you when i reach the otherside"