sábado, 8 de dezembro de 2007

Hoje decidi gostar de você. Não, não decidi. Hoje eu acordei gostando de você.
E isso não tem nada a ver com sonhos, visões, paixão... Por favor, nem ache que tem alguma coisa a ver com paixão! Decidi isso hoje porque já venho cativando há séculos um carinho, uma admiração... Talvez por alguma infamidade que tenhas soltado ou simplesmente por carência da minha parte.
Ah! Hoje gosto e pronto.
E dependendo dos seus afagos continuarei gostando durante o resto do dia (talvez isso possa se estender até a noite); e na manhã seguinte, quem sabe?
Com um pouco de sorte chegaremos ao final da semana.

Mas caso seus olhares fiquem ausentes, graças a uma displicência qualquer, degosto de você.
E serei a mulher mais desiludida do mundo.
Mas amanhã...?
Amanhã acordarei gostando de...
hum...
Deixe-me ver...





Não espere de mim

Nada mais que a paixão
Não espere nada de mais
Do meu coração

Que bate, rebate e grita

Geme, chora e se agita
Sambando nas cordas bambas
De uma viola vadia, vadia

Não espere encontrar numa canção
Nada além de um sonho
Nada além de uma ilusão
Talvez quem sabe
A verdade
A infinita vontade
De arrancar
De dentro da noite
A barra clara do dia

"Mais que a paixão" - Egberto Gismonti

sábado, 17 de novembro de 2007

Fausto

Estudantes de comunicação realizam a performance/instalação “Fausto”, uma releitura da obra de Goethe, no dia 21 de novembro às 19h30, no Canal das Artes. “Fausto” tem como tema base a pós-modernidade e a sociedade de consumo (desmedido), e mostra até onde podemos ir para nos adequar a padrões. Propõem uma alegoria desse processo consumista por meio de um espaço tridimensional, e através dos sentidos, com o intuito de causar no espectador minutos de incomodo, prazer, agonia.

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Teatro



Continuação da série:
Ensaio na rede - Casa de Gustavo.
Março/2006

Observem toda a graça e leveza de Marina caindo da rede!
Pura elegância.

domingo, 14 de outubro de 2007



Ensaio na rede - casa de Gustavo. Março/2006

"Ai meu deus, to com meeedo!"

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Amizade

e Ela me diz: desiluda-se.
E eu teimo, esperneio, fecho a cara, bebo mais, falo mal dos seus tomates, digo que não, oras, por favor...

e Ela, já com as sobrancelhas mais altas e os olhos mais piedosos, diz: desiluda-se.

de um 12 de outubro

"[...] quatro mãos que a tocaram tão inesperadamente que ela fez a coisa mais certa que poderia ter feito no mundo dos movimentos: ficou paralisada. Eles, cujo papel predeterminado apenas o de passar junto do escuro de seu medo, e então o primeiro dos sete mistérios cairia; eles que representariam apenas o horizonte de um só passo aproximado, eles não compreenderam a função que tinham e, com a individualidade dos que têm medo, haviam atacado. [...]"

Um suspiro de sufoco.
"Não, o motorista não deveria parar aqui...
Eu preciso terminar de ler esse conto. Mas é melhor ficar atenta as pedras..." (essa paixão alienada, estampada em seus rostos, os faz urrar, bater, morrer!)
Troncos para fora do ônibus, e dezenas de sombras "surfam" com experiência; se enraivecem pela falta de "animação" (e de pedras) dos seguidores da Torcida.
O menino do lado me explicava eduacadamente (e com timidez) que
"não, não foi clássico. [...] É bom tomar cuidado que pode ter pedra nessa área. [...] Na verdade são dois bairros que não se dão muito bem, mas são do mesmo time."
Uma parada vazia, um suspiro de alívio.
A senhora da frente (quarenta anos, talvez) fechava o vidro, e logo em seguida levava a mão à testa, desacreditada no que estava presenciando. Ela estava em pânico, eu sabia. Eu sabia porque também estava em pânico. Mas tentava disfarçar fazendo ar de indiferença... minha testa sempre entrega essas pequenas dissimulações.


"J de jovem, O, organização, o V é de vida, o E de emoção!, no final tem M que é moral...!!!!!!"


Agora só faltam duas! Duas e eu fico mais longe deles!
"Aqui o ônibus pára sim." Era bonzinho, o menino do lado.
Finalmente desci. De fato, eram dezenas de sombras, mais até do que eu havia imaginado; completamente desesperados por um pouco de emoção. Cheguei a acreditar que ao descerem, apedrejariam sem dó o transporte que até então lhes fora tão útil. Apedrejariam todos - sendo ou não: da mesma camisa; do mesmo bairro; da mesma idade; do mesmo planeta...
Apedrejariam.


Só estaria realmente segura quando abrisse o portão...Não, quando entrasse em casa... Quando se trancasse no quarto!
Quando terminasse aquele conto.

"[...] Ela não os olhou porque sua cara ficou voltada com serenidade para o nada. Mas pela pressa com que a magoaram soube que eles tinham mais medo que ela. Tão assustados que já não estavam mais ali. [...]"


Trechos "Preciosidade" - Clarice Lispector

terça-feira, 9 de outubro de 2007


Ficar doente tem lá suas vantagens e garantias.
Quando isso acontece você tem certeza que o mundo - num curto espaço de tempo, é verdade - vai te deixar em paz...
Em troca você faz o mesmo por ele.



Individualismo em doses homeopáticas nunca fez mal a ninguém, vai.