Como todas as outras Evas...
Como todas as outras, Evas.
Como: todas as outras Evas.
Como todas as outras, Eva(s)?
Como? Todas as outras Eva(s)?
Como?! Todas as outras, Eva(s)!
quinta-feira, 2 de agosto de 2007
quarta-feira, 25 de julho de 2007
segunda-feira, 16 de julho de 2007
Adriana Falcão
O Grande e o pequeno.
Todo caso de amor tem um grande e um pequeno. Alguém um dia falou, em francês, que em todo caso de amor il y a toujours qui aime et qui se laisse aimer. É mais ou menos a mesma coisa. O pequeno ama, o grande se deixa amar. O grande fala, o pequeno ouve. O grande discorda, o pequeno concorda. O pequeno teme, o grande ameaça. O grande atrasa, o pequeno se antecipa. O grande pede, ou nem precisa pedir, e o pequeno já está fazendo.
Não é uma questão de gênero. Existem homens pequenos e homens grandes, mulheres grandes e mulheres pequenas. O temperamento e as circunstâncias influem, mas não determinam. O grande pode ser o mais bem-sucedido dos dois ou não. O pequeno pode ser o mais sensível, mas nem sempre é assim. Muitas vezes o grande é o mais esperto, mas existem pequenos espertíssimos. Depende do caso.
Como ninguém descobriu, até hoje, uma regra que permita determinar qual é o grande e qual é o pequeno, só observando o casal mais atentamente.
Na rua, o que anda distraído quase sempre é o grande. Quase sempre, no cinema, o grande só decide comprar pipoca depois que os dois já estão acomodados nas poltronas. O pequeno, então, fica esperando, vigiando, tomando conta para o filme não começar antes de o grande voltar, o que, por algum motivo, seria uma tragédia.
Numa festa, o pequeno deve estar ansioso para que a noite seja boa, principalmente se foi ele que sugeriu o programa. O grande se comportará de maneira indiferente até se embriagar pela música, pela bebida ou pelo ambiente, quando então ficará muito mais animado do que o pequeno. Mesmo que o pequeno dance bem, o grande sempre dançará melhor. O pequeno evita o silêncio porque tem certeza de que a culpa é dele, por isso sempre tem arquivados na cabeça assuntos que possam ser úteis em todas as ocasiões. A calça nova do pequeno dificilmente lhe cai tão bem quanto a do grande, assim como o cabelo do grande está sempre melhor que o do pequeno, ainda que a festa inteira pense exatamente o contrário. O pequeno geralmente se comove com a lua calado, enquanto o grande aponta, olha só a lua. No final da festa é sempre o pequeno que quer ir embora, reservando o melhor da sua alegria para o resto da noite, enquanto o grande se despede dos amigos displicentemente.
Mais tarde, o pequeno é macho, é gueixa, é desgraçado, é exclusivo e, se o coração do grande por acaso ouvir seus gritos, que sorte. No dia seguinte, o pequeno estará inevitavelmente preocupado: será que fiz tudo certo? Acho que eu não devia ter dito aquilo. Por que toda vez sou eu que beijo primeiro? Na dúvida, vai correndo procurar o grande, apesar de ter prometido que nunca mais faria isso.
O grande e o pequeno podem ser de qualquer espécie, inclusive bichos, com exceção dos gatos, que são todos grandes.
Não necessariamente formam um casal. Não é só nas histórias de amor que existem grandes e pequenos. Havendo mais de um, um par qualquer, dois adversários, dois irmãos, dois amigos, sempre haverá o que quer mais e o que quer menos, o fascinante e o fascinado, o generoso e o pedinte.
Mas como tudo pode acontecer, senão nada disso ia ter graça, a qualquer momento, por alguma razão, geralmente à noite, imprevisivelmente, o grande pode ficar pequeno, e o pequeno ficar grande de repente. Basta um vacilo, um acaso, um cair de tarde, um olhar mais assim, um furacão, uma inspiração, uma imprudência.
Quando isso acontece, é comum o pequeno ficar maior ainda, o que torna automaticamente o grande ainda menor. O ex-pequeno, logo que é promovido a grande, pode se vingar do ex-grande, se seu sofrimento tiver boa memória. Aí, coitado do novo pequeno, vai se arrepender de cada não beijo, cada não telefonema, cada não noite de insônia, cada não desespero, cada não entusiasmo, cada não carinho inesperado, indispensável, inevitável, imprescindível, cada não todas as palavras apaixonadas em qualquer língua do mundo. Ele vai se surpreender com a reviravolta, no começo, mas vai se conformar com sua nova condição de pequeno em seguida. E então vai seguir, cuidadoso e desastrado, na quase inútil intenção de conquistar o grande urgentemente.
Todo caso de amor tem um grande e um pequeno. Alguém um dia falou, em francês, que em todo caso de amor il y a toujours qui aime et qui se laisse aimer. É mais ou menos a mesma coisa. O pequeno ama, o grande se deixa amar. O grande fala, o pequeno ouve. O grande discorda, o pequeno concorda. O pequeno teme, o grande ameaça. O grande atrasa, o pequeno se antecipa. O grande pede, ou nem precisa pedir, e o pequeno já está fazendo.
Não é uma questão de gênero. Existem homens pequenos e homens grandes, mulheres grandes e mulheres pequenas. O temperamento e as circunstâncias influem, mas não determinam. O grande pode ser o mais bem-sucedido dos dois ou não. O pequeno pode ser o mais sensível, mas nem sempre é assim. Muitas vezes o grande é o mais esperto, mas existem pequenos espertíssimos. Depende do caso.
Como ninguém descobriu, até hoje, uma regra que permita determinar qual é o grande e qual é o pequeno, só observando o casal mais atentamente.
Na rua, o que anda distraído quase sempre é o grande. Quase sempre, no cinema, o grande só decide comprar pipoca depois que os dois já estão acomodados nas poltronas. O pequeno, então, fica esperando, vigiando, tomando conta para o filme não começar antes de o grande voltar, o que, por algum motivo, seria uma tragédia.
Numa festa, o pequeno deve estar ansioso para que a noite seja boa, principalmente se foi ele que sugeriu o programa. O grande se comportará de maneira indiferente até se embriagar pela música, pela bebida ou pelo ambiente, quando então ficará muito mais animado do que o pequeno. Mesmo que o pequeno dance bem, o grande sempre dançará melhor. O pequeno evita o silêncio porque tem certeza de que a culpa é dele, por isso sempre tem arquivados na cabeça assuntos que possam ser úteis em todas as ocasiões. A calça nova do pequeno dificilmente lhe cai tão bem quanto a do grande, assim como o cabelo do grande está sempre melhor que o do pequeno, ainda que a festa inteira pense exatamente o contrário. O pequeno geralmente se comove com a lua calado, enquanto o grande aponta, olha só a lua. No final da festa é sempre o pequeno que quer ir embora, reservando o melhor da sua alegria para o resto da noite, enquanto o grande se despede dos amigos displicentemente.
Mais tarde, o pequeno é macho, é gueixa, é desgraçado, é exclusivo e, se o coração do grande por acaso ouvir seus gritos, que sorte. No dia seguinte, o pequeno estará inevitavelmente preocupado: será que fiz tudo certo? Acho que eu não devia ter dito aquilo. Por que toda vez sou eu que beijo primeiro? Na dúvida, vai correndo procurar o grande, apesar de ter prometido que nunca mais faria isso.
O grande e o pequeno podem ser de qualquer espécie, inclusive bichos, com exceção dos gatos, que são todos grandes.
Não necessariamente formam um casal. Não é só nas histórias de amor que existem grandes e pequenos. Havendo mais de um, um par qualquer, dois adversários, dois irmãos, dois amigos, sempre haverá o que quer mais e o que quer menos, o fascinante e o fascinado, o generoso e o pedinte.
Mas como tudo pode acontecer, senão nada disso ia ter graça, a qualquer momento, por alguma razão, geralmente à noite, imprevisivelmente, o grande pode ficar pequeno, e o pequeno ficar grande de repente. Basta um vacilo, um acaso, um cair de tarde, um olhar mais assim, um furacão, uma inspiração, uma imprudência.
Quando isso acontece, é comum o pequeno ficar maior ainda, o que torna automaticamente o grande ainda menor. O ex-pequeno, logo que é promovido a grande, pode se vingar do ex-grande, se seu sofrimento tiver boa memória. Aí, coitado do novo pequeno, vai se arrepender de cada não beijo, cada não telefonema, cada não noite de insônia, cada não desespero, cada não entusiasmo, cada não carinho inesperado, indispensável, inevitável, imprescindível, cada não todas as palavras apaixonadas em qualquer língua do mundo. Ele vai se surpreender com a reviravolta, no começo, mas vai se conformar com sua nova condição de pequeno em seguida. E então vai seguir, cuidadoso e desastrado, na quase inútil intenção de conquistar o grande urgentemente.
domingo, 1 de julho de 2007
sexta-feira, 15 de junho de 2007
[Da série: conversas de ônibus]
-Primeiro dia e a mulher já foi pra cama comigo, achei nada a ver, se ela quisesse alguma coisa comigo de verdade, não faria isso.
-É, é mesmo um absurdo. Eu já fiz isso, mas hoje pra dá pro cara eu tenho que conhecer bem...
-Não, não faça isso não! (com tom de conselho e desaprovação)
Um viva ao (falso) moralismo!
-Primeiro dia e a mulher já foi pra cama comigo, achei nada a ver, se ela quisesse alguma coisa comigo de verdade, não faria isso.
-É, é mesmo um absurdo. Eu já fiz isso, mas hoje pra dá pro cara eu tenho que conhecer bem...
-Não, não faça isso não! (com tom de conselho e desaprovação)
Um viva ao (falso) moralismo!
terça-feira, 5 de junho de 2007
Dogville
Como passei o domingo em casa, resolvi alugar uns filmes pra diminuir o tédio e o vício de internet. Assisti alguns, mas sem dúvida o que mais me chamou a atenção foi "Dogville". Simples e estarrecedor. O filme, que aparentemente é tedioso, te leva a todos os tipos de emoção em poucos minutos: raiva, compaixão, angústia, tristeza...A falta de cenário é preenchida com atuações marcantes; a narração, em vez de transforma-lo em sacal, torna-se indispensável à proposta do filme, deixando os diálogos mais curtos e densos. Se for pra citar cada detalhe que me tirou o sono na madrugada que se seguiu, provavelmente não vou sair daqui hoje.
Não há mais o que ser dito, apenas visto.
Então, veja.
segunda-feira, 4 de junho de 2007
Bobagens de Junho
Junho sempre foi o mês que eu mais gostei e mais odiei.
Deve ser porque todo ano ele chega sorrateiro, assim como quem não quer nada, e de repente vai embora num piscar de olhos, fechando mais um (ciclo de vida) semestre e me fazendo esperar (ansiosa?) pelo próximo Junho.
Um mês singular. Teoricamente frio, mas pra mim: absurdamente quente.
Hoje ele ainda é de fogueiras, de fogos, de milho, de finais, de parabéns, de repensar e planejar. Antigamente era ir comprar traque de massa na barraquinha da praça, colocada ali especialmente para o são joão; era comer canjica, milho verde e pamonha; era ver minha avó fazer aquela panela monstruosa de canjica e sair dividindo com os vizinhos; era sair correndo quando o vizinho soltava o "vulcão", mas ficar olhando da janela da sala morrendo de vontade de fazer também; era ter que fechar todas as portas e janelas por causa da fumaça; era preparar tudo para aquela comemoração do finalzinho de Junho; era uma espera ansiosa para ver o meu pai batendo na minha porta (mas esse só chegava no outro mês); era de ter mais certeza ainda que matemática nunca fora meu forte; era...?
Era.
Deve ser porque todo ano ele chega sorrateiro, assim como quem não quer nada, e de repente vai embora num piscar de olhos, fechando mais um (ciclo de vida) semestre e me fazendo esperar (ansiosa?) pelo próximo Junho.
Um mês singular. Teoricamente frio, mas pra mim: absurdamente quente.
Hoje ele ainda é de fogueiras, de fogos, de milho, de finais, de parabéns, de repensar e planejar. Antigamente era ir comprar traque de massa na barraquinha da praça, colocada ali especialmente para o são joão; era comer canjica, milho verde e pamonha; era ver minha avó fazer aquela panela monstruosa de canjica e sair dividindo com os vizinhos; era sair correndo quando o vizinho soltava o "vulcão", mas ficar olhando da janela da sala morrendo de vontade de fazer também; era ter que fechar todas as portas e janelas por causa da fumaça; era preparar tudo para aquela comemoração do finalzinho de Junho; era uma espera ansiosa para ver o meu pai batendo na minha porta (mas esse só chegava no outro mês); era de ter mais certeza ainda que matemática nunca fora meu forte; era...?
Era.
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